Naquela rua movimentada, tudo passa, os muitos carros com
muitas histórias, as muitas pessoas com seus muitos motivos, sempre observei o
seu movimento desde quando tudo aquilo fazia
parte de minha rotina. Mas com tudo em tanto movimento, você não passou,
continua ali, defronte a mim, dentro de mim, do mesmo jeito que te vi pela
primeira vez.
O rosto carregado com a mascara artificial ocultado pela
maquiagem sua verdadeira beleza, sua pele que poderia estar tão natural a luz
daquele sol, mas parece que você esqueceu que nunca gostei de quando se escondeu
por trás de tão pesada mascara, quando as muitas vezes negou a todas minhas
respostas. Inclusive que me indago dia-a-dia quando posso me lembrar de algumas
qualidades peculiares sua, ou se ainda a
amo. Se ainda amo o seu jeito tão difícil de se dobrar quando proponho o que
poderia sentir sobre mim. Se ainda sei o que realmente significa essa palavra
tão pesada, amor.
A sua imagem, por dois dias consecutivos conseguem mudar
todo o meu senso sobre o que posso sentir, afinal o que posso não sentir?
Um sorriso breve, e já desviando o olhar, como se algo a
retroagisse em focar diretamente em mim como antes fazia, se houvesse um medo
interno, protegendo-a de mim. Mas independente de tudo não sei se existe algum
tipo de mérito em correr o risco e aceitar que vou ter que me afastar, sair
andando, e deixar para trás mesmo se importando com você, deixando para trás
apenas uma imagem de alguém que tive como única para mim, e acreditar que vai
ser melhor assim, mas e seu reaparecer a qualquer momento? Tentando fazer você
acreditar, ou tentar me compreender em tudo o que sempre te ofereci, e não ter
de deixar tudo isso de lado, e ter de acreditar e crer que a única saída é ter
que te esquecer? E ter que realmente enxergar, que nunca nada disso do que
posso escrever, realmente tenha valido a pena para algum de nós.
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