Epílogo



Você se prende a valores ficcionais que cria ao longo da vida baseado em experiências, e quando encontra algo que realmente pode te fazer bem, acaba deixando de lado pois já esta em cima daquele palco que você mesmo fez, esperando as cortinas se abrirem.


Tratarei dela como o algoz dos meus sentimentos, o fato de ainda enxergar apenas o seu passado, acabou me decepcionando ao ponto de não acreditar mais que as coisas podem continuar seguindo em um círculo vicioso que se inicia na admiração, e sempre termina na decepção. E esse tipo sentimento se trata sobre isso, círculos viciosos que criamos e sobre eles ainda aumentamos experiências e esperanças, mas elas não existem, são apenas uma miragem no meio do deserto enquanto você possui muita sede. Ela é linda, seu sorriso é o canto da sereia que seduz os homens ao suicídio, mas talvez não se trate de suicídio físico e muito menos racional, e é sobre esse suicídio que vou tentar falar.


Um homem cansado de tudo o que possuía, enjoado de ouvir as mesmas histórias, de fazer as mesmas coisas aos finais de semana, o homem que cansou fácil da nada audaciosa rotina de vida que levava, estava um dia sentado apreciando algo que não lhe era de costume, tentando mudar o rumo da conversa de todos naquele ambiente, este homem nem sempre foi capaz de tomar atitudes que julgavam descentes, mas esse era ele, feito de falhas e um histórico grande de erros. Naquele momento ele já conhecia a si mesmo, mas não conhecia o que estava por vir, aquela onda que arrebataria sua serenidade e que faria suicidar seus desejos mais abstratos e puros; seus sentimentos.


Mas que merda estou falando aqui? Não é sobre ele que se trata, e sim sobre ela. O apogeu do fim prematuro que aconteceria, e faria assim como fez se não tivesse mudado de forma que acabou se tornando irreconhecível. Não, o sentimento não era um obstáculo, seus desejos transcendiam essa necessidade tão banal e imatura. Sentimento era uma consequência daquilo que fazia, e o que fazia jamais teria arrependimento, um pescador sempre reconhece o outro e eu sabia quem era ela. Sua beleza era singular, os olhos negros carregados de uma poderosa atração, sua boca e seu sorriso eram o algoz dos puros, eram a tentação, a pele lisa, branca e macia que proporcionavam imensurável conforto, isso junto do poder de sua alma, era tudo o que qualquer bom coração não iria querer, pois isso trazia junto uma personalidade incrível, e inexplicável. Mas os ventos mudam de direção e foi isso que aconteceu, o poder pessoal foi consumido pelo maior poder terreno, aquilo que se inicia na conjunção carnal; o sexo. As amarras foram postas em sua mente. A voz trêmula em uma noite qualquer, carregada de arrependimento e medo evidenciou isso, inevitável agora que ela volte a ser como era, sua incrível personalidade se corrompeu por algo que temo, um sentimento de 4 letras que não ouso citar.


Voltarei então ao tema central, ao suicídio dos homens, ou aquilo que existe neles. Olhar diretamente naqueles olhos negros e profundos, que já não me enxergam como o objeto que via antes. Sim, nunca liguei em ser tratado como objeto, pois o que me importa de verdade é o desafio de saber que vou ter que sempre me superar e nunca ter satisfação total ( não psicologicamente falando, claro), mas esse desejo de querer ser quase um escravo sempre foi um impulso para que nunca eu estivesse entediado, assim como a nunca colocaria em um pedestal e a venerasse pelo mesmo motivo. Mas esses olhos agora transmitem aquelas sensações que não sou capaz de compreender, que clama por algo diferente que não posso dar, e que por fim deseja a única coisa que me fez acreditar que existia ainda algo diferente nela, que eu jamais iria me cansar. Mas o fato de eu saber, que ali em muito tempo, foi aonde enxerguei o que eu sou, e que ali era o único em que mudanças eram incríveis, me fez esperar algo semelhante que não encontrei, em não espero nem nunca mais encontrar. Ver a mais bela e incrível rosa mais de uma vez, a torna comum. E o comum é a única coisa que não espero.

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