Notei seu sorriso cerrado com a cabeça baixa após me encarar, notei seu corpo arrepiar brevemente enquanto toquei suas costas, notei que me olhava fixamente quando não estava olhando para você.
A dúvida consome meu interior, certa hora dizia que não fiz o que deveria para te-la em outra, diz que nunca quis me ter por perto. Me sinto bagunçado, angustiado e arrependido, meus sorrisos utilizando seu nome como troféu são falsos, apenas para esconder tudo aquilo que passei, pois a cada vez que o cito apenas me lembro do dia em que passamos um pedaço da noite juntos, do momento pelo qual chorou em meus braços, eu trai você, trai sua confiança, me julgando correto e acreditando que tudo isso aliviaria minha dor, mas andei em círculos e no mesmo caminho estou, não sei como mais fugir, não sei como mais correr ou aonde me esconder. Existe um preço por ter traído a minha própria palavra, o meu próprio sentimento, do qual estou destinado a pagar, vê-la aonde não queria que estivesse, me dizendo o que não queria escutar, mas me calo, não vou atrás, apenas a vejo ir pois sei o que fiz, e sei que terei de passar por tudo isso.
Eu a observava, tão próximo de mim, acreditava até então que seria tudo normal, mas nada havia mudado, nem eu, nem você, eu poderia senti-la tocando meus lábios, sua mãe esfregando levemente minhas costas, sentia todo o arrepio, o seu abraço, a sua voz baixa em meu ouvido. Mas era tudo tão irreal, nada daquilo realmente existia ali, exceto o olhar de ódio que desviava contra mim, o mesmo ódio que a protegeu quando a ataquei. De tudo o que poderia ver ali, eu tinha certeza, que a única coisa que não existia era a velha confiança, e foi isso o estopim de todos os motivos. Mas que culpa eu tenho? Só queria achar um jeito de que se aproximasse para eu dizer a última coisa, que até agora não consegui dizer.
Sinceramente, dentro de mim não encontro mais algum lugar onde se esconder como antes, não encontro em pessoas foras um bom colo para se deitar e me sentir confortável, não sinto nada, alem de um frio arrependimento, que não muito longe destruí sentimentos ingênuos e verdadeiros. A sempre te tratei com um monstro, mas na verdade, o monstro sempre foi eu. Mas não deixo de acreditar que o perdão ao menos uma vez virá.
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