Esta frio lá fora, coloco minha cabeça contra o vidro liso da janela, olho para a fora, minha respiração ofegante e quente embaça o vidro e cobre parte de minha visão, olhando para o alto vejo uma luz piscando, é um avião ou um helicóptero que passa devagar, alguém lá em cima possivelmente observa o vazio escuro com apenas poucas luzes aqui de baixo por todo o caminho que passa, a minha frente o vento gelado e forte derruba algumas folhas secas daquela grande arvore, este é o cenário para qual eu olho hoje, escuto um grande silêncio apenas do fogo aceso esquentando aquele chá que coloquei a poco para ferver.
Dentro de mim, sou capaz de notar tudo isso, capaz de sentir o que tem neste grande espaço, uma imensa solidão com baixos sons dos quais ninguém é capaz de ouvir, ou muito pouco, a solidão incompreensiva que faz em mim um desejo em ficar mais solitário e afastado de coisas que poderiam preenche-la, sou rodeado de verdadeiros sentimentos dos quais eu os preservo, mas pelo quais eu não quero e nem pretendo me envolver, não quero que aquele mundo perfeito que me afastava de todo o mal volte a existir, pois esse mundo acaba, e o que sobra é apenas um sentimento escuro, um sentimento como aquela pessoa olhando do avião lá de cima, apenas observa o quão grande este mundo pode ser, mas são as pequenas luzes separadas do seu montante que chamam atenção, pensando em um porque estão ali, um motivo para estarem distante, e encontrando ela, descobre que existe uma serenidade, e um preço que deve ser pago por escolher observa-la, se desligar do montante e não querer estar ali, por medo, e por opção.
Dentro de mim, sinto um imenso vazio que não preenche com novas experiencias, que não são satisfeitos com minhas escolhas aleatórias e crenças como a fé que um dia tudo isso pode passar, a razão sempre foi meu forte e sei que isto é um fardo por todas as escolhas que fiz para afastar quem amei, as escolhas propositais para eu me tornar um monstro na visão dos demais, a ponto de nunca mais quererem me ver, de nunca mais sentirem saudade de um abraço meu, e essa sempre foi a minha escolha, me machucar para machucar alguém, assim posso me afastar, assim posso afastar dela todo o medo que havia em continuar me amando e não poder estar presente. A necessidade de sua sobrevivência sempre veio a cima e sei que um dia, sera entendido e compreendido que todo aquele mau que fiz e criei foi apenas para acertar as ocasiões e definir caminhos diferentes para nossa história, de modo que você possa estar mais confortável do que esteve com suas dúvidas e medos ao meu lado, um altruísmo complexo e egoísta de minha parte.
Observo lá fora, um animal sorrateiro passa sobre o muro, olha em minha direção e anda mais rápido, olho para cima, a arvore que antes cobria a luz do poste agora está seca, e coloco toda minha metáfora nesta árvore que foi seca para que a luz fosse mais intensa para todos.
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