Chove bastante lá fora, a chuva é tão assustadora quanto a
situação em que nos encontramos aqui dentro, mas a chuva é um estagio natural da natureza, e não tão bela, mas é de fato confortável. Sinto que tomarei muitas dessas chuvas.
O clima mudou sorrateiramente, e quando menos percebi estava
frio, a chuva que batia no vidro proporcionava em mim a mesma falta de visão do
exterior, a mesma falta que as lagrimas em seus olhos tornavam denso minha visão sobre o interior dela, e me
era torturante saber que o motivo era eu mais uma vez eu.
Agora olho para a face do fim, e nela vejo apenas sentimentos,
que foram forjados com prematuridade, tanta que talvez tenha sido o pouco tempo
para se provar que possa ter criado isso entre nós. Mas em pouco tempo, eu
tenho muitas lembranças, contudo não gosto de ter que mencionar, e é verdade
que tudo o que posso absorver dela são coisas boas, diferente do meu jeito ser.
E é isso que eu não quero matar, a relação impossível entre dois mundos paralelos e sua próxima relação, é como comparar o
céu azul com o espaço negro. Ambos são serenos e possuem características semelhantes, mas feitos e cheios de coisas totalmente diferentes, e é fato que estão muito mais próximos do que imaginamos.
Eu talvez tenha oferecido mais do que poderia suportar, mas
não me lembro quando foi a ultima vez que acabei oferecendo muito mais, que quase
destruindo a mim mesmo para poder entregar, mas gostaria de pontuar que não deixei de entregar. A incerteza será meu algoz, a
incerteza será o algoz que destruirá aquilo de mais perfeito que ainda exista em
mim, assim como o homem foi quando matou Deus, mesmo enxergando todas suas
qualidades e sua perfeição, mesmo sabendo que jamais seria abandonado, o homem continuo
incrédulo de que seria ajudado, e essa falta, essa ausência que nós mesmo
criamos, é o que estou refletindo. Olho para dentro dos olhos escuros dela,
cercado por uma perfeita imagem, a pele branca, as poucas sardas, o longo
cabelo negro, contudo eu ainda temo olhar com profundidade, sei que lá dentro, quase
no final, está aquela dose do veneno que vai me matar sem me deixar morrer, e
quando eu acordar, vou ser um alguém que jamais imaginaria ser. Mas desde
quando eu confiei o suficiente? Afinal, como confiar e não ter esse profundo e instintivo
medo de acabar se ferindo. Não quero ser cúmplice do meu próprio assassinato.
Mas observo a chuva lá fora, e o escuro aqui dentro, como se
existisse um pássaro negro na minha janela pedindo para ir voar com ele, mas o
que ele carrega? Que liberdade é essa que darei a minha alma nesse momento?
Nossos objetivos são diferentes, meu coração não costuma
pedir, não costuma dizer, mas agora sinto que a chama, chama com clamor e sem pausa. Esses momentos estão
me deixando sereno, e isso não costumava acontecer, meu ego não permite tamanho
privilégio, eu devo me sustentar, não posso depender desse abraço para ficar tranquilo, nunca precisei! Mas que diabos vem acontecendo comigo que perco o foco e não consigo mais
encontrar sinônimos nem para o que escrevo?
A chuva lá fora continua a cair, levando com ela talvez o
que nos pesava, ou talvez trazendo algo a mais para pesar entre nós, com naturalidade, porem com muita intesidade. Os olhos
dela realmente me atacaram, me trouxeram um sentimento que não sei explicar,
ternura talvez, medo ou até mesmo aquele antigo fantasma que me assombrava, que
dizia não existir e não acreditar nele, que me propôs a escrever crônicas sobre
o mais abstrato dos sentimentos, aquilo que eu chamava de irreal. A franqueza
das palavras ditas, dos beijos dados e dos abraços conquistados estão me
tornando fraco, mas essa fraqueza me parece de bom humor, pois não quer me
machucar, apenas me sinalizar sobre a realidade que eu nunca quis por perto.
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