Reflexos
A água fervente cai sobre minha nuca enquanto fixo meus olhos no chão, em seu primeiro contato com minha pele ela a faz doer, mas uma dor que causa uma sensação suportável e prazerosa, enquanto o resto que escorre pelo resto do corpo cria uma sensação morna, como se estivesse aquela fina chuva fora e você se encontrasse enrolado em um grosso e quente cobertor. Imagens breves como flash assumem minha mente, sua pele branca, sua boca que parecia desenhada, seus olhos negros, digo negros pois são escuros e profundos, com uma sutileza de ingenuidade que sempre me conquistou. Seria capaz de sentir seu beijo, seria capaz de escutar sua voz, mas tudo foi tão breve assim como na realidade, assim como quando fui tomado por essa estranha sensação. Sinceramente escrevo com uma feição apática, não sou capaz de absorver até meu intrínseco estado de sã consciência e entender o que realmente se diz respeito a essas sensações que são breves e efêmeras. Sempre fui capaz de expor aquilo que já passou, pois nunca descobri algo que me consumisse até o profundo estado que alterasse o senso de minha razão em um presente longo. Digo, sempre escolhi ir embora, me afastar, ao invés de arriscar, medo? Talvez, mas no fundo sempre soube que continuar seria algo que iria me afetar negativamente. Mas o que posso dizer, ao final, é que a brevidade das coisas como foram não impactou diretamente a possibilidade de que eu julgue tudo aquilo como algo que me faria feliz. Sentia a transição para um estado confortável, sabia que poderia mudar aquilo que sempre foi imutável, isso se chama alegria, mas a relação e a coerção exteriores criaram um efeito, um efeito assim como uma pedra em um lago, as ondas que aos poucos se expandem chegaram e fizeram com que tudo acabasse, que criasse um ponto final logo após criar o titulo, pois quase nada existiu. Mas me lembro, e não é difícil de recordar, de sua mão que apalpava minha nuca suavemente como uma corrente que me prendia, e seu beijo lento, profundo, tão profundo que me secam as palavras para descreve-lo, mas que o meu eu queria estar ali por um tempo que pode se descrever como a eternidade. E sinceramente no fundo do meu eu, me pergunto o porque que ainda não estou ali, entregue ao seu domínio como um escravo, sendo consumido pelo seu olhar, sendo usado pelo seu beijo enquanto me drogo sentindo seu perfume, tantas sensações que terminaram . Por que ainda escrevo se nada sinto? Me indago infinitamente sobre essa questão, me indago aonde está todo esse desejo e sentimento, como pode estar ele ainda claro como fogo se não sei de onde vem. E a única coisa que posso me afirmar, é que não precisaria me perguntar sobre se ainda pudesse te beijar.
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