Quantas histórias poderia contar um teto?

É olhando para o mesmo teto do qual já te viu passar por diversas emoções que algumas explicações pode vir a tona.
Me recordo de quando me apresentaram o poeta Bukowski, usaram as seguintes palavras: “ Você já leu Bukowski? Seus textos se parecem muito com os dele, são profundos, e cheio de sentimentos fracassados.” Não é difícil assumir que você foi construído através da dor, e somente dela, que você é fruto de decepções e mergulhos profundos e rápidos em sentimentos que eram rasos, talvez essa profundidade é o que as pessoas admiram em mim no inicio, mas é fato que ninguém consegue segurar o folego para chegar até o fundo.
E é fato que hoje me vejo tão próximo  de Bukowski quanto antes, não sou nenhum escritor profissional como ele era, mas é fato que o turbilhão de sentimentos que passavam por ele, passam por mim, talvez as intensidades sejam absorvidas de formas distintas, mas o que muda? As lagrimas e os copos de álcool são os mesmos, álcool que altera os sentidos e me colocam em um refugio, fugindo daquilo que mais te assusta, o vinculo sentimental.
Quantas vezes me peguei nas festas, rodeado de pessoas sorrindo acreditando que elas eram também felizes, mas que tudo ali era superficial e falso, a felicidade, os beijos, as promessas e a euforia, tudo aquilo acabaria horas após, inclusive eu, que me acabaria após um sono, acordaria, olharia para o mesmo teto e um quarto escuro e solitário, com sentimentos transpassando de forma brutal dentro do meu eu, que me levantarei, tomarei um copo de água, e voltarei a deitar, e aquele dia é um dia perdido, até que a noite tudo se repete.
A dor sou eu, eu sou a dor, eu não a provoco, ela mora em mim por naturalidade, a intensidade a fez, a intensidade do meu eu.
Posso me ver pedindo abraços, beijos, e presenças, só por acreditar que não vou precisar um final de semana a mais beber, para fingir que as coisas caminham positivamente, o meu eu não permite, eu estou morrendo cada vez mais por dentro, e as vezes aparece alguém que parece que pode me salvar, mas esse alguém, não pode ir até lá embaixo me buscar, e eu continuo descendo, em direção a morte.
A alegria daqueles que estão a minha volta, dizem ser sempre proporcionada por mim, mas de onde surge essas mascara? Já que não sou assim. Talvez tenham percebido diferença em mim, por eu passado sem mais nem menos, a ser quem eu realmente sou, a me expor mais.
Esse texto talvez seja o mais longo de todos, pois ainda vou iniciar minha caminhada para tentar me ver por dentro, e esboçar em palavras o que não posso compreender na imaginação.
Eu era ainda uma criança, jamais tinha amado alguém como a amei, eu mesmo não conhecia meu próprio amor, e ela já havia tido experiência nisso, mas é como eu disse e volto a repetir, as pessoas são atraídas por mim, até estarem dentro de mim, depois disso se assustam, se sentem sufocadas pela pressão de ter que cuidar de alguém tão doente, carregador de dor, e ao mesmo tempo tão alegre e vivido.
Me lembro como hoje de suas comparações, de minhas tentativas de demonstrar algum sentimento serem taxadas como ridículas, de meu coração não ter nenhum valor e ser chamado de louco. Palavras constroem sensações boas, e esperança, mas te destroem muito mais rápido do que possa pronuncia-las por completo. Ainda me lembro das chamadas de babaca, ainda me lembro de quando beijou outro enquanto olhava para você, só nunca imaginei que tudo isso iria se repetir, e mesmo eu estando mais maturo, o medo e a dor não foram embora, elas ainda eram a mesma
Breve? Talvez, mas o sentimento ainda me assombra , ainda tenho medo da partida.
Me recordo também da segunda vez que pude sentir algo forte e intenso de verdade, lembro do primeiro beijo na rua deserta, da sua boca macia junto a minha, do seu abraço perfeito e de seu leve e natural cheiro. Esse beijo pode ter sido breve, mas selou uma coisa que a muito tínhamos, noites e noites de conversa, dias e dias de risadas, afinidade e afinidades sendo despojada sob a mesa. Mas eu confuso, não deixei isso ir a frente e errei, como sempre erro. Gostaria que ligasse de noite enquanto estivesse com problemas, que pudéssemos tirar sarro um do outro sem medo, e que visse que meu jeito louco e bipolar se foi embora junto com você, e que sei que nunca mais vai voltar.
Novamente breve? Ainda tenho medo de errar com as pessoas, a ponto de acabar errando e as ferindo.
Mas e essa, sem palavras, seu sorriso vaga em meus sonhos, seu perfume exala de minha roupa e a faz estar deitada em mim mesmo distante. Uma pessoa tão profunda quanto eu, mas que aprendeu seus limites sobre isso, aprendeu que às vezes ver as coisas indo embora machuca, mas machuca tão menos quanto ter esse medo assombroso de perdê-las, sua inteligência talvez tenha lhe proporcionado isso, sua personalidade forte que causa impacto em qualquer ambiente, as coisas pequenas que construíram o que sinto por ela, mas que agora terei de suportar olhar para essas coisas e saber que não posso me afeiçoar tanto as pessoas, ou encontrar alguém tão louco, e de emoções pesadas como a minha. Sentirei sua falta, e irei ve-la em todos os lugares, pois ela está em mim.
Histórias breves não? Mas não, não foram as únicas mulheres que tive qualquer tipo de relacionamento, foram as que entraram dentro de mim, e deixaram sua marca, marca que jamais sairá, que fará com que toda vez que eu as encare meu coração dispare e me deixei perdido, tentando me entender e observar os fatos através de outros pontos. Nada é efêmero para mim, a intensidade proporcionada pelas experiências que tive desde o início fizeram isso, me destruíram a ponto de me reconstruir com a dor, com as decepções, fazendo que a esperança seja uma inimiga e não a minha salvadora, não posso ter esperança, eu mesmo irei me decepcionar.

Tudo aquilo que lhe é bom, me é péssimo. Toda sua paciência, são destroçadas pela minha ânsia em saber que tudo vai embora como o vento, mas que se for um dia de calor eu abrirei os braços para tenta-lo aproveitar, e depois novamente voltarei a sofrer assim que ele se for. Meu medo é meu amigo, minha dor é minha essência, fui comparado a Bukowski por um motivo, só sei me expressar por textos, repletos dos fracassos que cometo na vida, e que trilham minha história. 

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