Eu gostaria de escrever e ser lido, gostaria de falar e ser
ouvido. Mas as métricas e rimas apenas ficam para meus textos, pois minha vida,
está bem longe de ter seu parâmetro. Ou
ser um parâmetro.
Eu vivo com uma cicatriz, descobri como fazer para fingir
que ela não existe, como diminuir sua dor, mas é impossível fecha-la, ela
sangra nesse momento, e sangra muito. E o sangue está carregado de dor, ele
jorra ela, a dor por não poder sentir o físico, ouvir a voz, apreciar o cheiro,
mas sim, a dor da falta que me faz estar com ela, e poder viver em cada
detalhe, entre cada sorriso, ou dentro do seu olhar, profundo, brilhante, ingênuo
e feliz.
De alguma forma, a algum tempo ouvi que escrever era algo
que as pessoas sentiam falta de mim, já que faz algum tempo que não sento e dedico
esse tempo a revirar naquilo que sinto e que nunca deixo sair. Eu queria ser um
cara durão que é capaz de dizer que não está nem aí, se foder para aquilo que
revira dentro de mim e acreditar que isso é algo passageiro e que temos que
viver. Mas não consigo, e não é bonito e nem legal ser esse cara que não foge
dos sentimentos pesados, intrínsecos e doloridos, mas que vive com eles e
talvez até neles. Remando a favor da maré.
Gostaria de sair dessa casca, e fazer com que minha voz
deixe de ser muda, que o que sinto e que digo que sinto, seja compreendido, que
os motivos dos meus erros não seja apenas uma personalidade ruim, ou uma pessoa
desconexa de emoções, mas sim, e talvez por eu não saber lidar com elas e com a
intensidade que elas possuem dentro de mim. Sinto como se fosse um furacão, que
puxa tudo para baixo, e eu ao invés de correr dele, apenas fico ali, e faço ele
me sugar e depois me lançar para qualquer lugar. Ser destruído no seu choque, e
o desastre que ele produz, ser algo belo e capaz de admiração. Nós estamos
acostumados a admirar a violência, a acha-la bela, veja como julgamos a morte
de Cristo, algo belo, como é bonito para todos nós que alguém tenha sido
espancado violentamente e pregado de maneira cruel, apenas em nome de um bem
maior e comum; o amor. E quando falamos deles, ou melhor, quando falo dele,
parece ser algo belo, enquanto na verdade estou na grosseira expressão apenas
atirando merda contra o ventilador.
Eu erro, o ser humano erra, mas eu costumo produzir erros consequentes
como se não tivesse já errado da mesma forma, o motivo? Eu apenas queria tentar
ser visto, ouvido e até mesmo sentido, que houvesse comiseração, porque sozinho
não sou capaz de lidar comigo mesmo. Isso é um grande problema, mas eu estou
cagando para os problemas, pois eu sou o problema.
O perfume dela passa pela minha memória e termina em meus
olhos, queria que cada lagrima levasse uma memória embora, assim seria mais fácil
de esquecer, e ter fingindo que nunca vivi como a maioria costuma fazer. Mas eu
tento ser um cara durão, e caras durões não choram, e deixo todos estes
sentimentos presos a mim, vivendo na esperança de que o mundo vai girar
invertido e tudo o que costumo fazer, passa a ter o sentido que tem dentro de
mim, a forma de sentir e fazer acontecer que não consigo mudar, ou mostrar.
Mas as coisas são assim, e este sou eu, a personificação dos
erros, alguém que gostaria de ser apenas um simples cara, que vive de forma
simples e entende as coisas diferente do que entendo, para não ter que ver as pessoas
partirem sem conseguir pelo menos mostrar, que é verdade, que no fundo eu as
amo, mas é muito difícil colocar isso numa vitrine e pedir para ser olhado, eu
costumo quebrar a vitrine e derrubar tudo o que há nela, e quando as pessoas
olham para tudo despedaçado no chão, a forma que deveria ter, não é a mesma que
eles conhecem, não é a mesma que ela gosta de olhar.
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