Adeus margarida!

Essa flor estava ali, no meio do concreto, todo dia eu passava pelo mesmo caminho apenas para observa-la. O chão era cinza, as paredes sujas, mas ela era única, a única flor em todo aquele cinza, que rompia o cimento e o cenário, não existia nada mais gratificante do que poder olhar para ela.
A princípio, ela era pequena, mas eu gostava de parar e ficar olhando, pode ser corriqueiro vermos uma flor em um caminho, mas não sei, aquela doce flor branca me atraiu, seu cheiro e a maneira como crescia era diferente das outras flores, ela parecia dançar conforme o tempo e se esconder das ameaças que transitavam ali rotineiramente. Quanto eu mais olhava, mais ela parecia crescer, e eu acabei amando esta flor.
Durante o caminho rotineiro, eu me ajoelhava para sentir seu cheiro, eu gostava de tocar ela delicadamente. Era apenas uma flor, que diferença tem isso? Os jardins estão cheios, as avenidas com mato alto e as praças, mas eu não se explicar, ela era só mais uma flor, simples e extraordinária.
Eu pensei em tira-la, pensei em levar para minha casa, mas ela não seria minha por muito tempo, ela morreria aos poucos apesar do meu amor e do meu cuidado, eu tinha no máximo um copo cheio de agua para deixa-la, mas esta flor não era minha, ela era daquele lugar, ela estava ali para romper com o cinza, para mostrar que nos lugares mais remotos ainda pode haver uma simplicidade que vai nos comover e fazer chorar.
Dia após dia, eu passava para vê-la, as vezes de surpresa levava agua para ver ela ficar mais bonita e refresca-la, e de uma flor qualquer ela virou uma margarida branca, que fazia o local cinza se tornar colorido.
Certo dia, como de costume eu estava caminhando quando vi outra pessoa olhando para minha margarida, e ela parecia estar maior e mais bela, ela talvez não gostasse tanto assim de mim, apenas estava ali pois sabia que era importante que eu olhasse para ela. Eu vi ele tirar sua raiz com delicadeza e a levar embora, a margarida seria plantada em outra terra, seria mais cuidada talvez, mas o seu momento no cinza acabou, talvez ela fosse para um campo de outras margaridas. Fiquei triste, eu não tinha onde plantar aquela margarida, eu precisava dela ali, mas infelizmente entendi que talvez ali não fosse o seu lugar.

 Adeus margarida.

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