Seus olhos miravam diretamente os meus, e diziam que aquela
vez, seria a última vez, porque seria para sempre. Ela decidiu e afirmou com um
sorriso que tinha me escolhido de novo, as palavras que sua voz carregava
sumiram na minha memória, apenas lembro de entrarmos no carro e ela se deitar
no meu colo. Uma coisa era certa, eu estava bem, e ela também. Pela primeira
vez as coisas realmente aconteceriam, pela primeira vez haveria felicidade.
Meu peito estava vazio, precisei puxar o máximo de ar que
consegui e meus olhos abriram, o sonho que tive com ela agora fica batendo na
minha consciência e no meu eu, de pouco ele está esculpindo algo que não
consigo definir, mas que será a última vez que acontecerá. Me senti sendo
sufocado por mim mesmo, meu coração acelerado carregado de desespero e medo. Eu
sabia que agora outra pessoa consegue reconhecer a criança que aparece no seu
olhar quando ela sorri, sua mão macia e seu corpo quente agora estão sendo
sentidos por outro tato.
Eu estava sozinho no quarto escuro, demorei um tempo para
retomar o ar, tomei o celular e enviei uma mensagem que nunca vai chegar. Toda
noite, eu ainda sinto ela, acordo no meio da noite achando que meu travesseiro está
preenchido com seu cabelo, mas a verdade é que não há nada, além da minha mente
inquieta. Como foi que cheguei aqui? É o
que sempre me pergunto, porque não percebi? E sempre acabo na máxima de que ela
vai ser sempre a mulher certa, e eu o cara errado. Simplesmente aconteceu! Tão rápido
como começou, acabou.
Sinto como se nunca tivesse sido de verdade, bons momentos
vagam no tempo que nunca passa para mim, uma vez eu neguei de abraça-la enquanto
chorava por estar bêbado o suficiente para não conseguir perceber o que estava
acontecendo, que suas lagrimas caiam porque eu estava em outros braços. E
agora, minhas lagrimas caem porque ela está em outros braços.
Minha mente vaga no escuro do meu quarto, onde escuto apenas
minha respiração pesada e doente. Sinto uma bola de tênis na cabeça do meu
estomago, talvez sejam os remédios, talvez seja a bebida em excesso. Talvez
seja o vazio que ela deixou agora tomando espaço do meu eu. A verdade é que não
me preocupo com isso, não me preocupo comigo mesmo, me preocupo apenas com
quanto tempo falta, para que ele chegue ao fim e eu comece a conta-lo
novamente?
Vago em mim mesmo, perdido e tentando encontrar um lugar
para me esconder, procuro a saída, mas não encontro. Era tão bom colocar a mão pode dentro do seu
moletom neste frio, este frio que isolava nos dois do mundo em um mundo só
nosso.
Eu já não consigo ser mais profundo, estou no mais fundo que
posso, é tudo turvo e assustador, eu cai em um poço escuro e cheio de agua, e
agora que afundei estou me afogando, a água é o que sinto, o poço é meu
coração, e eu, sou eu mesmo dentro de mim.
Ela olhava para o nada, sorria para si mesma, e foi assim
que tudo começou. Ela olhava para mim, chorava para fugir de si mesma, e foi
assim que tudo acabou. Nesse meio tempo, existe eu e ela tentando fingir que
não somos diferentes o suficiente, tentando acreditar que aquela alegria seria
para sempre.
Foi bom ter sido bom. Agora é ruim, para mim. O escuro do
quarto é tão cheio de nada quanto eu estou cheio de algo. Um pouco mais tarde teríamos
conquistado o mundo, e o transformado para nós, e no meu último pensamento,
dormi tentando voltar no sonho que para sempre será apenas isso, um sonho.
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