E eu descobri depois de muito tempo que ficar sozinho não era
um problema por conta da solidão, mas sim porque eu sou uma péssima companhia
para mim mesmo.
Eu posso te ver aí na frente, parada e enrolada na sua
felicidade que agora tem nome e endereço. Eu posso ver que é grande o que
sente, posso ver seu sorriso, o mesmo que me destruiu. Mas tenho certeza que você
não se importa, já que não me vê de onde está. E o que antes seria motivo para
eu poder sentir teu abraço, agora são apenas um par de olhos na multidão,
inundado em dor e agonia.
Não há nada que ninguém possa fazer, apenas devo aceitar teu
conforto em outro abraço, em outros braços. Que este peito te aquece mais do
que costumava fazer o meu. Bebo, e apenas isso, nada me preenche, tudo me
consome. Beijos sem sentido e despidos de sentimento, é tudo o que eu posso
fazer neste momento. O gelado da cerveja tem sido a única coisa que substitui o
gelado da sua boca, tão fria quando travava palavras nos lábios contra mim,
tentando me fazer sofrer como eu a fiz sofrer.
Nunca fui exemplo, muito menos referência para nada, quem
dirá um bom companheiro, mas não posso dizer que me conformei com isso, até
agora. É curioso como olhando daqui vejo que não tentei ser diferente do que
ele é agora para você, os abraços, os beijos espontâneos, as trocas de olhares,
era tudo sobre exatamente isso. É doloroso perceber que não fui suficiente para
isso, apenas isso, e ter conseguido chegar neste pódio que é estar ao seu lado.
Talvez eu não chore de saudade como deveria fazer, mas sim
porque sozinho, aqui dentro de mim, eu sei que nunca vou passar do meio.
Existem pessoas que são o início, aquelas com que
aprendemos, nos entorpecemos com tudo, pois tudo é novo, aprendemos a nos
construir, e nos destruímos para aprendermos a reconstruir. Existem pessoas que
são os finais, elas são tão invejavelmente maduras, que na primeira vez que
seguramos sua mão, sentimos que estamos seguros e protegidos, as vezes até de
nós mesmos. Nosso corpo grita dizendo que é ali que devemos ficar.
E existem os meios, que eu não sei definir, provavelmente é
como um passatempo, e é aqui que estou, neste meio. Um lugar que eu não faço
ideia do que seja, mas que apenas transitam pessoas por aqui, sem apego ou
compromisso, sem se importar com quem está ali, ou o que sentem. É como se
fosse uma eterna festa.
Me desculpem, mas estou vivendo agora o lugar que ela dizia
que eu iria me afogar, uma piscina profunda com cerveja e sexo, e apenas isso.
Mas eu gostaria de poder escolher sair daqui, e só mais uma vez, me atirar
contra seu abraço, essa morada grandiosa que você carrega para todo lugar
consigo mesmo.
Minha cabeça dói, deve ser ressaca, ou só a realidade se
chocando contra ela, de ter que mais uma vez acreditar que não acordei com seu
bom dia.
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