A falta que faz você

E a maneira como segurava o celular, a maneira como andava quando estava cansada, ou até como colocava a mão na minha perna enquanto dirigia, coisas pequenas mas solidas entre nós, agora se perde na memória, o tempo é como um vento que sopra uma duna de areia, e de pouco a pouco vai transformando todo o deserto.
Meu coração sente falta de como olhava para mim, meu coração bate e não posso pedir para você por a mão no peito para mostrar como você mexe comigo, como meu corpo vibra quando penso em você.
Sinto um buraco que parece sugar tudo o que acontece sem nunca encher, é como um vazio eterno, doloroso e quase mortal. As memórias que sempre são associadas as boas coisas, agora retornam em momentos sem gatilho algum, e me fazem pensar porque eu não disse que gostava da maneira como amarrava o cadarço dos sapatos, ou como abria os olhos enquanto comia algo que lhe dava prazer. O sexo não preenche nada, o tesão parece querer não existir e me forço a desistir dele.
Quero falar sobre tanta coisa que penso, que sinto falta, que me deixa perdido e deslocado. Quero seu colo na praça de noite, quero seu abraço no canto do bar, quero sentir você respirar bem perto de mim, e nada disso nunca mais vai acontecer. E agora, os pormenores que são enormes pesam dentro de mim, por que foi que brigamos mesmo? Será que aquele olhar de tristeza quando me viu sair do bar em que estava, teria sido diferente se mesmo sem nada para oferecer eu tivesse dito que ficaria ali mais um pouco? Por que nos deitamos uma semana antes de você segurar a mão de outra pessoa? Será que isso significa que eu era só um brinquedo? Ou será que você ainda tinha esperança que eu pudesse mudar tudo o que aconteceu?
Me pergunto, me enforco nas perguntas e não tenho coragem de chutar o banco, talvez seja melhor acreditar que não seria diferente, e se tiver algo que eu pudesse ter feito, espero que nunca descubra.
Nada poderia ter sido tão cruel, como aquele almoço poucos dias antes de tudo acontecer, ou melhor, ter sido forçado a deixar de acontecer.
Nada mudou, tudo é exatamente igual. E as memorias vão sendo apagadas, e aqueles pequenos momentos que eu nem percebia, agora se tornam valorizados

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