Domingo é foda


No fundo, ainda desejo que o tempo tivesse parado, nem que fosse por um momento. Sim, pode ser egoísta de alguma forma querer que o mundo pare apenas para que possa viver um instante eternamente.
No almoço estamos todos sentados à mesa, o cheiro da comida me tira da cama sempre com aquela dor de cabeça curável e temporária. Sentei aqui sem saber o que escrever, ou sobre o que escrever, mas uma vez mais eu sei sobre o que escrevo. E como tudo o que já escrevi, é sobre o que sinto, sobre a efêmera curva do seu sorriso, algo que tento fingir que já não existe mais.
Penso se todos os homens que caminham sob este chão, são também tão inexistentes para as pessoas que todos sonham estar esperando no fim da caminhada. Eu sou um tanto diferente, já não caminho, resolvi me sentar e colocar uma bebida na boca, esperando que em algum momento, tudo isso seja diferente do que tem sido até agora.
O cheiro do café te faz lembrar o hálito quente de alguém, o desejo infinito de ouvir uma música, é porque ela lembra aquela voz doce e calma te chamando para dançar. Todos, e talvez inclusive eu, temos motivos suficientes para se inspirar, tentar entrar nesse barco que navega em calmaria, chamado esperança, e se no final nada acontecer, ainda sim estaremos lá, apreciando a vista que o mar  proporciona para nós.
Meu barco se virou, sem querer errei o lado que deveria ir e encontrei a tempestade que mata homens e pescadores, que pescam peixes que nem sempre vão existir. Nunca fui bom marinheiro.
Os homens sempre foram inspirados por suas musas, pessoas maravilhosas como todas as outras, mas que por puro acaso, os abraçaram na hora certa, exatamente quando precisavam se sentir pertencentes a algum lugar. Homens tolos, ficam duas vezes tolos, esquecem de si mesmo, e se atiram para o canto da sereia; tremulo, simples e verdadeiro, uma voz que para sempre gostaríamos que cantassem.
Noite passada sonhei com uma destas musas, a minha musa, ela queria me abraçar e dizer que sentia falta do meu beijo. Doce ilusão, não sou pescador, não tenho sonhos a serem pescados, ou um barco para navegar rumo a esperança. Sou apenas mais um cara que fez a coisa errada, e agora acredita ter descoberto qual é a certa, embora faria errado novamente se tivesse a chance, como todas as outras vezes. Me perdi nos encantos que não existem, me joguei para a labuta eterna de lutar contra si mesmo, contra o que deseja, contra o que sonha. É difícil ter que viver em mundo que não quer que você seja, quem realmente é.
Me tornei um homem distante do mundo dos outros homens, acreditei em mim mesmo, e sempre soube que não sou de boa confiança.
Mas nesta noite, eu não quis acordar, e tentei por um tempo acreditar que é possível poder novamente sonhar. E sem dúvida entender, que jamais poderei dizer adeus.

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