Não existir e ser obrigado a não se importar. Ter que se
forçar a saber que os sorrisos ainda acontecem e você não está para olhar para
eles. Os olhos brilham, mas nossos olhares já não se cruzam. Alguma pele sente
seu toque leve, mas não é a minha, não sinto os arrepios da sua voz doce em meu
ouvido.
O quanto temos que ser fortes nessa realidade que não
sonhamos? Eu nunca escolhi nada disso, e muito pelo contrário, queria que tudo
estivesse em torno de mim e você dissesse que está tudo bem. Mas cada vez que
fecho meus olhos, eu me sinto morrer dentro de mim mesmo. E eu não escolhi nada
disso, apenas sou forçado a viver a agonia de ter que acordar com sua voz sem
ter você por perto. Sempre escuto você me chamar. Como depois de tanta dor que
me causou, eu tenho que aceitar que você ainda é a mulher que eu sonho?
Que culpa eu tenho em ter tentado, mas ter errado mais uma
vez? Sinto muito pela neve que que coloquei em minha pele, mas eu sinto falta
da forma como me toca e ter falhado nos meus sonhos não me deixa aceitar que está
tudo bem.
Eu queria poder ter dado meu melhor, mas o meu melhor não existe,
ele já se consumiu a muito tempo, e nunca conseguir encontra-lo mesmo quando
tive motivos para isso ao seu lado, me fazem agora ter que aceitar os sonhos
que não escolhi ter. Talvez porque eu
nunca tenha existido.
Essa noite eu sonhei com a morte da sua ausência, e com seus
braços abertos correndo até mim, essa noite eu sonhei sobre tudo o que sempre
disse ser meu sonho com você. Era para nos estarmos juntos abraçados nas fotos,
mas o mundo não me deixou ser bom o suficiente, e não, não tenha piedade de
mim, eu sempre vivi nesse castelo de poeira que no primeiro sopro de realidade
se desfaz. Agora se puder me tirar daqui eu gostaria que me ajudasse, e só
dessa vez me dissesse o que é a coisa certa a fazer, não tem sido justo ter que
aceitar o que não escolhi. Mas acho que sempre serei assim, alguém tentando se
jogar devagar dentro de si mesmo, buscando um motivo para não chorar e tentar
tocar o céu prometido, que parece ser só uma doce ilusão contada para nós. Mas
no final ambos sabemos que isso não é o que vai acontecer, e sim, eu precisaria
encontrar um lugar ao qual me pertenço, não sinto que o mundo é o que eu quero,
e gostaria que me mostrasse o caminho só mais uma vez, eu preciso saber onde é
o meu lugar.
Não consigo viver dentro de mim mesmo, sabendo que eu fui o único
motivo para ter perdido você. Eu gostaria de ver o mesmo mundo que via antes,
como se o sol sempre se pusesse depois de uma longa e fria noite.
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