Sentado diante aquela construção centanária, eu podia lembrar de você em pé entre minhas pernas com as mãos sobre meus ombros, olhando diretamente em meus olhos fazendo com que o cabelo cobrisse parte de seu busto, seu sorriso não tão completo e um brilho de satisfação no olhar, parecia que não havia som algum ao nosso redor, apenas a sua voz baixa em meu ouvido dizendo que me amava e que me amaria.
Amor pelo qual sempre fui traído, sentimento medíocre que prefiro fantasiar como uma não existência, fantasma que me assombra e me assombrara, não posso confiar naquilo que passou a perna em mim e me jogou no chão, mas fui dominado pela insensatez de querer poder e ter poder, de acreditar que meu domínio existia grandes braços capaz de domina-la de uma forma da qual fosse só para mim, mas grandes erros cometi para agora lamentar, me arrepender não mudaria nada, muito menos o fato da destruição que causei, destruição que parece ser minha maior virtude.
Sentido pela perda, agora me encontro em um novo caminho onde pareço já conhecer, sinto que logo irei ser esquecido por este sentimento novamente, que o maior limite de um ser é entregar o corpo em minha posse e sem isso pareço já não conseguir ter demasiada confiança, mas que sentimento louco e insólito é esse? Desejo plenamente poder chama-la de minha, desejo plenamente poder e conseguir retirar de um singelo e angelical rosto um sorriso com aquele olhar de satisfação e agrado, mas dessa vez não pareço andar pelos caminhos que me trouxeram até aqui, dessa vez quero deixar que o mesmo vento que guia as velas de um grande navio faça com que os fatos sejam naturalmente criados, e quem sabe talvez confiar neste tal de amor.
A felicidade em estar só é uma utopia criada pelos homens que se sentem superiores o suficiente para acreditar que não precisam de algo a mais, onde seu ego é satisfeito apenas pela capacidade em conquistar e destruir todo e qualquer tipo de ato que transforme um individuo em conjunto, ego e sempre ego. Conheço homens que conquistam mulheres com palavras que saem como mel, com promessas que são ditas como se fossem o próprio cristo na terra, e logo após terem o que querem, voltam a andar só, em um caminho solitário, solidão que os obrigam a machucar um ser ingenuo novamente, mas conheço homens, que mal conseguem expressar seus sentimentos, que mal conseguem alcançar o único objetivo de satisfazer sua própria solidão.
O fardo mais pesado, sempre foi o medo de minhas memórias, houve sim um tempo que estava satisfeito e ficar ali a observando era o único motivo pela qual eu acordava cedo todos os dias e ia dormir tão tarde que já estava quase claro novamente, horas e horas se passavam como minutos ao som de sua voz, o sol se tornava lua e eu não me cansava de observar, digo isto como exemplo de meu maior ideal, esses momentos me proporcionam tranquilidade, mas precisei perde-los para saber que os quero de novo, sentir isso, estar no lugar ideal com a companhia ideal falando sobre coisas tão aleatórias que daria um livro sobre inutilidades, inutilidades que me fazem sentir o som e a rítmica de seu coração novamente, fazendo me lembras das vezes em que sobre seu colo fiquei.
Momentos são feitos de perfeições tão simples que parecem ridículas, estar ali, com você, escutando o que não deveria, sentindo o que me destruía, fazendo com que agora apenas dentro de mim circulem esta vontade imensurável de querer poder estar novamente ao lado desses sentimentos que agora já não cabe a quem tenho em minhas memórias, mas que o ciclo de algo semelhante volta a rodar e o medo de perder tudo sem tentar bate a porta, mas quem sabe a vontade não apague minhas memórias fazendo com que toda minha angústia desapareça e a vontade de estar só volte a me dominar.
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