Um conto desta noite

Seu rosto sem maquiagem, seus olhos turvos e carregados de sentimentos, você estava parada diante mim liberando tantas lágrimas, deixando cair tudo aquilo que sempre guardou, quebrando a mascara através da qual sempre se escondeu, mas estávamos em público e tive de ir trabalhar.
Não parei um minuto se quer, sempre que pude te mandei mensagens perguntando se estava bem e melhor, contava as horas para te reencontrar e ir jantar naquele restaurante com uma comida tipica de minha descendência. Você não dizia ser como era, e com isso retirava toda sua maquiagem, todo aquele peso, aquela mascara esperando para ser quebrada e eu estava ali olhando diretamente em seus olhos, seus olhos me passavam compaixão e medo, parecia que olhava para uma criança de 13 anos assustadas que estava escondida por trás daquele ego e orgulho que uma hora desabo em meus braços, enxugando toda sua armadura em minha roupa.
Nos sentamos no fundo, o banco era de napa ou couro, pedimos um prato cada, e falávamos sobre vida e amor, sobre a sua no caso. Você estava ao meu lado, com a mão sob minha perna, quando falando baixo em meu ouvido e soprando quente em meu rosto, que levemente beijou meu pescoço, seus lábios dançando levemente ali me fazendo sentir uma emoção semelhante a um arrepio, mas estava esta emoção carregada com muito mais sentimento, carregada com muito mais medo e cinestesia. Descobri ali, o que era amor, senti ali este irreal e medonho amor.
Seus lábios junto dos meus, levemente úmidos e frios, macios, aquilo era errado, ambos não poderíamos estar ali fazendo o que estávamos fazendo. Me levantei, senti uma agulhada em meu estomago, tive de ir ao banheiro pois estava mal. Quando voltei notei seus olhos com um tom diferente, com um tom de um desejo em novamente voltar para lá, mas ambos sabíamos que não seria possível que aquilo deveria nunca ter acontecido. Mas aconteceu.
Em uma noite, voltava dirigindo por um caminho diferente, de longe avistei uma sombra, baixa com os cabelos camuflados na noite e aquele leve luz adornando seu rosto que estava olhando para algo no estacionamento. Meu corpo se quebrou por uma contração que a tempos não me atacava, parecia não haver mais corpo, apenas mente, algo tão abstrato que minha mente havia se voltado para as memórias e por um momento ali viver, o fantasma me atacou e meu coração novamente arrancou.

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