Como se não fosse um sonho.

Você sonha e fica o dia todo com algo dentro de você, esse algo é pequeno, mas mesmo assim durante o dia todo, sou capaz de senti-lo.
Era uma estação ou uma rodoviária, não sei ao certo, o lugar era frio, pois em meio a tarde era possível ver a neblina, ou essa neblina apareceu apenas para que eu não lembre de tantos detalhes. Lembro que senti algo desesperador quando soube que estava lá, que estava indo embora para algum outro lugar, corri depressa, a vi de longe, caminhei vagarosamente e sentei ao seu lado porem você nem sequer olhou antes de começar  a falar. Suas falas devem ter sidas a de  sempre, me julgando como um loco, desacreditando que eu estaria ali pois ninguém nunca esteve. Suavemente a toquei com minha mão, você se assustou, como se o seu corpo tivesse se arrepiado ou algo do tipo e diretamente olhou para mim, gostaria realmente de lembrar o que me disse nesse instante, lembro que estava segurando uma bolsa como sempre segurou, a cabeça levemente tombada de lado com a mão mexendo no cabelo. Seu olhar em direção ao meu era frio, porem eu a beijei, ainda posso sentir talvez sua boca fria e macia junto a minha, você se afastou e repetiu: “- Que saudade de você”. Afastei-me, lembro que a convenci ir para um lugar mais particular, esta estação ficava em meio a uma floresta ou um matagal, poucos moradores atrás, parecia que estávamos em uma cidade pacata e pequena, caminhei por uma trilha, rodeada com pequenas sucatas abandona e adornada por mato, fomos até um lugar longe e então um espaço em branco entra em minha memória, sei que conversamos, sei que algo talvez tenha acontecido mas não me lembro, talvez meu próprio corpo e minha mente saiba limitar agora memórias e sonhos seus.

Caminhamos na volta, lembro-me de sua roupa, calça jeans, blusa preta, roupas simples mas que me deixava “extasiado” como sempre fiquei ao vê-la, no caminho de volta lembro que você havia que se  mudar pois não conseguiria mais o próprio sustento, então ofereci o meu em seguida você negou como sempre, dizendo que não suportaria estar ali comigo, tomou as malas a mão e foi em direção ao trem ou ônibus, outro espaço que não me  lembro, em meio a aquela leve neblina eu fui até você a puxei pelo braço fazendo com que virasse e a beijei antes que pudesse se negar, seus olhos se encheram de lagrima, seu corpo estava grudado ao meu, porem você se afastou, abaixou a cabeça escondendo sobre seu próprio cabelo, e sem olhar para trás entrou no trem/ônibus. Curioso que nesse  instante eu vi aonde entrou, mas apenas em minha memória me lembro de sua imagem um tanto escura pelo vidro, com a mão sobre a janela se despedindo de mim, como já a vi tantas vezes, indo embora.

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