Parece que é para alguém.

Está frio aqui, pensei, respirei fundo e tremulo, estava segurando forte minha blusa. Caminhei rapidamente até a entrada do hotel e fui em direção ao bar para beber algo que me esquentasse antes do banho. Me sentei sobre aquelas bancos altos e um balcão de madeira, o garçom tinha traços fortes e um cabelo grosso, disse que tomaria um whisky puro.
Ele colocou um pedaço de papel, o whisky olhou para algo que vinha caminhando por trás de mim e se virou. Os paços eram de salto, rangiam contra o chão de madeira velha porem tratada,  uma brisa empurrou contra meu olfato um perfume doce que ainda não esqueço, era quase natural. Mas ninguém agrada tanto um olfato com aquela naturalidade, mas com certeza agradou meu olhar quando virei, pele branca, lábios grossos e desenhados, um olhar meigo e infantil.Mas ela sabia quem ela era, sabia o que poderia fazer e fazia, buscava nas demais um prazer ou algo que a acalmasse, queria entender e viver aquilo que teria para ser vivido. Suas roupas e seu modo de olhar a denunciavam, e eu estava ali, agora apenas querendo o seu nome.
Tornei a olhar para a frente, ela com um vestido branco, contornando suavemente seu corpo junto de um salto preto, ela era realmente, poderia descreve-la novamente realçando apenas outras belezas, mas afinal qual era seu nome? Resolvi ser ousado, quando notei seu pedido fiz um comentário sobre a bebida não tão alcoólica, um leve sorriso surgiu em seus lábios, um lado ainda mais meigo pude notar. Perguntei o seu nome e então começamos a conversar, uma, duas horas se passaram, conversávamos sobre coisas aleatórias, como seu emprego, ou que fazia ali naquele momento. Até que então lembrei-me, o carro estava com minhas malas, havia parado horas antes de resolver enfrentar aquele frio a pé, foi então que a convidei para me acompanhar até o carro, para pegar a mala e antes que eu fosse para o quarto e a esquece ali. Fomos conversando, contudo assim que cheguei ao carro não resisti, olhei em seus olhos e um beijo a pedi, ela se negou a principio mas a puxei pelo braço e a beijei. Foi a última vez que a beijei, mas ainda me lembro como se houvesse acontecido a poucos minutos, lembro de seus lábios gelados e macios, lembro de sua mão me abraçando e principalmente lembro que queria estar ali novamente, sentindo aquele suave perfume.
Ficamos ali um pouco, encostado sob o carro com a noite tranquila e serena. Não passava muitos carros na rua, não havia muitas pessoas caminhando, sentia como se tudo aquilo fosse meu. E de fato é, todas minhas memórias.

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