O som ao fundo tocou, a letra ambos sabíamos, escutei sorrateiramente seus passos até se aproximar, olhei em sua direção, poderia descrever com facilidade suas características, mas existia mais a fundo algo tão abstrato quanto aquilo que poderia sentir, descrever todo um ambiente e sua imagem é simples, móveis velhos, chão em taco a luz um pouco amarelada, porem a iluminação continuava clara. Me levantei, e a puxei pelo braço, meus dizeres talvez não te agradaram, talvez o receio em saber de algo a mais, talvez a vontade em ter algo a menos, as palavras simplesmente podem ser coisas vagas e soltas, mas não os atos, não aquilo que me fez ficar, nunca aquilo pelo qual eu acreditei que ali, poderia ter feito o bem.
A confiança é algo natural, não posso vende-la, não posso doa-la assim como não posso conquista-la, isso é algo que vem de um lugar intrínseco, assim como poderia ter sido o beijo que não lhe dei. Mas um desdem me caiu, sabia que algo a mais havia acontecido, que a balança estava pendente para outro lado, o que o fez, talvez que de verdade não me importasse, apenas queria ser alguém que ficaria daquela forma marcado para sempre, então senti algo forte dentro de mim, e era somente meu coração, assim como quando você sente medo, ele estava ali naquele momento.
Mas o que poderia alterar toda aquela situação de tal forma, senti meus olhos pesarem, e minha respiração ficar ofegante, sim eu estava com medo, mas medo de que? Medo em saber que uma vez mais, eu corria o risco de novamente, e por uma única segunda vez, em perder tudo aquilo que ainda sobrará de bom dentro de mim. Por medo, talvez por fraqueza, costumei a me esconder dentro de lugares onde não queria antes estar, a solidão se tornou uma companheira, e uma vez mais estou aqui escrevendo um novo texto, para que, apenas ou talvez em algum tempo eu me lembre de que um dia, eu poderia ter sido diferente de tudo o que não deveria.
Sinto medo ainda, pois eu sinto falta, e agora sei que sou evitado, agora sei que não será como antes e que já como citado, uma vez mais estou desarmado por apenas tentar ter criado algo inusitado, e assim como não deveria, tentei me mostrar de uma forma diferente. Em mim, aquele perfume ficará marcado, em mim sua cabeça sob meu peito estará simbolicamente guardada, e sentirei falta de um abraço. Foi tão pouco de seu ponto de vista, mas do meu, coisas se puder citar isso dessa forma tão simples, ou redefinir como atos assim como aquele, ficará marcado em minha memória para um sempre talvez não infinito, mas até onde eu puder guarda-lo, pois especial são aqueles que ao menos um momento de paz me criam.
Não posso mentir, falar que simplesmente deixar passar, pois não vou, já sinto falta e ire ressenti-lo até quando me cansar, até quando enjoar, mas para enjoar teria de repetir e isso não vai acontecer, o que premedita que talvez tempo demais possa passar, até que tudo aquilo volte a ser apenas uma memória e não um momento cravado em meu peito. Pois sinceramente, e de uma forma inacreditável, eu sinto falta de coisas tão rápidas e passageiras como estas, ao invés de sentir falta de uma rotina.
E tudo se une, com o medo de saber que isso pode ter sido a última vez que tenha acontecido algo desta natureza, principalmente relacionado a alguém como quem o fez. Saber que, eu talvez nunca mais possa ter, com todo e toda sua forma de me tratar, com singularidade. Apenas, uma vez mais gostaria de indaga-la, será que aquele momento pode ter sido o último, e que nos dias que virão apenas como sujeitos normais nos trataremos, ainda posso expressar de todo meu sentimento, mesmo que muito raro? E isso propositalmente, pois gosto de vê-la sorrir sempre quando está comigo e não distante. Em resumidas palavras, apenas sinto sua falta, mesmo quase não a tendo, e me questiono a todo momento, Por quê ?
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